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Todos podem contribuir: atitudes por uma vida mais sustentável dentro de casa

Atualizado: Jul 6


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O bater de asas de uma borboleta no Brasil pode gerar um tornado em outro lugar do mundo. Essa premissa básica do chamado efeito borboleta, criado pelo cientista Edward Lorenz, tem seu sentido em cada ação que tomamos todos os dias.


A tendência natural é pensarmos no lado negativo, de que uma simples atitude pode desencadear muitas coisas ruins. Mas ela também pode ser positiva. E é nesse lado bom que a sustentabilidade se coloca, como um caminho para que as atitudes individuais tenham um reflexo significativo e decisivo para o meio ambiente e, consequentemente, para cada um de nós. E quando mais e mais pessoas se juntam nesse mesmo sentido, os efeitos positivos se multiplicam e o mundo agradece.

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São inúmeras as atitudes diárias que podem poupar o meio ambiente e fazer com que as pessoas trilhem por uma via mais sustentável. E elas vão desde as pequenas ações, como apagar a luz de um cômodo onde ninguém está presente ou reduzir o tempo do banho, até as mais complexas, como instalar um sistema de placas solares no telhado de casa para gerar a própria eletricidade ou bancar um projeto de captação de água da chuva. Independentemente do tamanho do esforço, o impacto tende a ser positivo.


O gerente de Gestão da Inovação da Copel, Gustavo Klinguelfus, sugere que pequenas mudanças no dia a dia podem reduzir o consumo de energia elétrica e, como consequência, diminuir o impacto sobre o meio ambiente. Só de manter luzes acesas somente quando necessário, apostar substituição de lâmpadas por modelos LED, ajustar a potência da geladeira e do chuveiro de acordo com a temperatura e manter portas e janelas fechadas quando o aparelho de ar condicionado estiver ligado, já são suficientes para baixar a conta de luz. Fazer esses ajustes na rotina não significa perda de conforto, garante o especialista. “É uma questão cultural, de cultura da eficiência energética. É diferente de deixar de usar, mas sim fazer mais com a mesma energia. Não é se privar de confortos, mas minimizar o uso dos recursos.”


Além disso, Klinguelfus aponta a importância de comprar eletrodomésticos que sejam mais eficientes. “É preciso um cuidado na hora da compra, é a principal dica que damos. Na grande maioria dos casos é possível economizar buscando um produto que seja mais eficiente de acordo com o Selo Procel”, explica. Ele ainda sugere um cuidado em manter os equipamentos da casa em bom estado. “O custo da manutenção corretiva é bem mais alto que do a manutenção preventiva. Se não cuidar, no fim o barato vai sair bem caro”, completa.

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Em relação ao consumo de água, a Sanepar compilou um guia com várias dicas para economizar centenas de litros por dia, como reduzir o tempo do banho, fechar a torneira enquanto lava as mãos e a louça ou escova os dentes, usar a capacidade máxima da máquina de lavar roupas, não lavar o carro ou calçada com água potável — usar água da chuva ou da sobra da máquina de lavar, por exemplo.

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Há também ações que podem ser ainda mais eficientes, principalmente se já chegou a hora de trocar algum chuveiro, torneira ou vasos sanitários. Vale até precipitar a troca para gastar menos no médio e longo prazo. A arquiteta e sócia do escritório Tellus Arquitetura Sustentável, Adriane Cordoni Savi, explica, por exemplo, que sistemas de descargas mais antigos podem consumir até seis vezes mais água do que os modelos mais novos. “Quando coloca tudo isso na conta, a quantidade de moradores na casa, haverá uma redução grande de consumo na edificação. São medidas simples, fáceis e muitas vezes baratas que farão uma casa mais saudável e sustentável”, diz.


É possível ir ainda mais longe para reduzir o consumo de água e de energia elétrica. Os sistemas de placas solares para geração de energia e de reuso da água de chuva são um toque extra e que não são tão complicados para se instalar nas casas, sem contar a economia e o cuidado com o meio ambiente. Segundo Adriane, um sistema de captação de energia solar se paga totalmente em até dez anos, e depois disso só há gastos com manutenção, mas abaixo de valores da conta de luz normal. No caso do aproveitamento da água de chuva, os sistemas são mais simples e mais baratos, e garantem água para atividades como lavar o carro ou a calçada, sem precisar apelar para a torneira. “São possibilidades de adaptações nas residências que têm um ganho muito grande. Muitas vezes acabamos esquecendo de pensar nessas alternativas porque podem parecer caras”, comenta a arquiteta.


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Sustentabilidade na pandemia


É na própria casa onde as atitudes sustentáveis são mais praticadas. Com a pandemia do novo coronavírus, as pessoas acabaram ficando mais tempo na residência, muito mais do que normalmente ficavam. E nessa relação com o próprio lar, houve a percepção de que alguns hábitos vão na contramão da sustentabilidade. Mas teve o lado bom também. Nesse período, foi possível ver que os hábitos podem ser mudados facilmente. Por isso, no fim das contas, a Covid-19 pode acabar acelerando a mudança para uma vida mais sustentável.


“Quem pôde ficar em casa, teve de cuidar dos filhos em casa, percebeu o quanto que gera de resíduo ao longo do dia. E com isso, quem sabe, comece a escolher produtos com menos embalagem, que possa reciclar, compostar e cuidar dessa questão do meio ambiente”, reflete o professor e coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental, Marcus Nakagawa.


As compras pela internet, especialmente os pedidos de comida por delivery, despejaram caixas, sachês e embalagens nas residências. Faltou espaço na lixeira para tanto resíduo. Uma forma de diminuir o desperdício, é reutilizar esse material. Uma garrafa pet pode se transformar em um vaso, o pote de sorvete pode ganhar utilidade para guardar alimentos no freezer ou se tornar uma caixa de remédios. São infinitas as possibilidades e vale a criatividade. Outra opção é praticar doações com produtos que não usa mais e que iriam para o lixo. Aquele computador largado ou celular antigo podem ser muito úteis para outras pessoas.



Ao mesmo tempo em que houve o aumento na compra de produtos de deliveries, também ocorreu a redução no consumo de artigos como roupas, cosméticos e eletrônicos. Um levantamento do Google, de abril deste ano, mostrou que 49% dos entrevistados reduziram o consumo de itens supérfluos — 26% desistiram de trocar o celular, por exemplo. “A pandemia mudou o significado de supérfluo e agora vamos na direção do que de fato é essencial”, afirma o diretor-presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar — a declaração foi dada em uma transmissão ao vivo pela internet. “A pandemia vai fazer com que as pessoas escolham como vão consumir, quais as prioridades e necessidades básicas. É um processo de rever o consumo que, além de economizar, vai criar essa fase de pensar, repensar e decidir”, complementa Nagakawa.


Não por acaso nesse período de pandemia houve um incentivo grande para a compra direta de produtores e comerciantes locais. Além de ajudar de forma responsável o pequeno, a economia local deixa um rastro menor no meio ambiente, notadamente no transporte, evitando grandes distâncias e gases do efeito estufa na atmosfera. Sem contar que no caso de alimentos, muitos são mais saudáveis, sem defensivos agrícolas ou conservantes.

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E do que é necessário, a própria casa pode ser o ambiente para a produção. Para que gastar com algum tempero no mercado ou mesmo uma fruta ou verdura, se é possível plantar no jardim ou na sacada do apartamento. Com um investimento pequeno, uma horta caseira pode se tornar realidade. Os benefícios, além do próprio alimento, também são ambientais: evita-se, por exemplo, o deslocamento até o mercado e quebra até toda a cadeia logística de distribuição. “Mesmo em apartamentos, as hortas são uma boa opção. Há vários sistemas compactos para plantar e isso gera o efeito de produzir o próprio alimento. E nisso há uma redução de deslocamento e a pessoa passa a ter uma conexão com a terra e entender melhor o ciclo”, propõe a arquiteta Adriane.


Quando a casa se torna o ambiente de uma vida sustentável, há outras questões que acabam se conectando, como a qualidade de vida e a saúde. Uma casa sustentável é também uma casa saudável e, por consequência, com moradores saudáveis e, por que não, mais felizes?


“O momento de pandemia trouxe várias percepções das casas, de que é importante pensar na sustentabilidade aplicada ao bem-estar e à saúde das pessoas. Às vezes o foco fica mais no impacto ambiental e na eficiência energética, mas não podemos esquecer da saúde da pessoa dentro desse espaço”, diz Adriane.


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Como começar?


Apesar de muitas ações serem simples e corriqueiras, nem sempre é fácil mudar os hábitos, principalmente se eles já estão há anos e décadas fazendo parte do dia a dia. Um bom ponto de partida, segundo especialistas, é ter sempre por perto o conceito dos 4 Rs da sustentabilidade: repensar, reduzir, reutilizar e reciclar. Primeiro é preciso se questionar e verificar em quais aspectos da vida é possível mudar, depois é partir para a prática, reduzindo o consumo. Um passo a mais é cuidar com os resíduos e dar uma nova finalidade a eles. Caso não seja possível, que separe corretamente o lixo para a reciclagem.

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Até parece simples, mas é certo é que é preciso começar de algum lugar. E ao começar e praticar, os benefícios são garantidos. “Eu acredito muito que a mudança está na mudança do hábito das pessoas. Mesmo que automaticamente tenham atitudes de economizar água, energia, elas vão começar a despertar isso no dia a dia, e aí vai ter mais consciência e percepção das ações”, comenta o professor da ESPM, Marcus Nakagawa.


Na maioria das vezes, a escolha pelo caminho da sustentabilidade não é feita pelas questões ambientais, mas pensando no próprio bolso. De acordo com a Pesquisa Vida Saudável e Sustentável, liderada pelo Instituto Akatu e a GlobeScan, os brasileiros estão mais conscientes do papel que devem desempenhar pensando no meio ambiente e no bem-estar geral, mas ainda têm muito para avançar no sentido de uma vida mais sustentável. Segundo o estudo, 41% dos entrevistados afirmaram que querem reduzir o impacto que gera no meio ambiente e 46% disseram evitar produtos com muita embalagem. Por outro lado, temas que envolvem o bolso sobressaíram: 74% responderam que buscam comprar eletrodomésticos mais eficientes e 63% tentam consertar produtos que quebram ao invés de comprar um novo.


Mas economizar também significa poupar os recursos naturais. Por essa razão, a economia pode ser o ponto inicial para virar apenas um dos aspectos de uma vida sustentável. “Às vezes a questão da sustentabilidade demora a ser percebida. Muitas vezes o valor economizado não é tão significativo e isso pode ser um pouco frustrante, mas porque não foi a fundo. É preciso uma sensibilidade do impacto que está realizando, mais do que o impacto econômico. A economia tem que ser a consequência e não o objetivo”, opina a arquiteta Adriane. “Precisamos pensar na cadeia toda. Quando muda a chave para a sustentabilidade, começamos a entender como todas as nossas ações estão relacionadas”, finaliza."


Fonte: Gazeta do Povo

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