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Superjobs: conheça essa nova tendência do futuro do trabalho



Superjobs, ou “superempregos” em português, são cargos que combinam partes de diferentes trabalhos tradicionais em funções integradas, agregando habilidades essencialmente humanas às tecnologias de automação como a robótica, tecnologias cognitivas e IA.


O conceito foi criado pela Deloitte em seu relatório de 2019 sobre as tendências do capital humano para 2019. Segundo a pesquisa, à medida que as máquinas assumem tarefas repetitivas e o trabalho que as pessoas realizam se torna menos rotineiro, a previsão é de que muitos dos empregos que conhecemos hoje evoluam para os chamados superjobs.


Vamos perder nossos empregos para as máquinas?



Nos últimos anos, muitos têm ficado alarmados com estudos que prevêem que a IA e a robótica acabarão com boa parte dos empregos. Mas o medo da sermos substituídos por máquinas é realista? Antes de entrarmos nesse tópico, é importante diferenciar três tipos de tecnologias empregadas quando falamos em automação do trabalho: robótica, tecnologias cognitivas e inteligência artificial.

  • Robótica: inclui robôs físicos (como drones e robôs usados ​​em indústrias) e automação de processos robóticos (tecnologia que automatiza rotinas e transações altamente padronizadas).

  • Tecnologias cognitivas: incluem processamento e geração de determinada linguagem e aprendizado de máquina, via reconhecimento de padrões.

  • Inteligência artificial: são máquinas que podem fazer previsões através de machine learning, redes neurais e outras técnicas relacionadas.

Segunda a pesquisa da Deloitte que mencionamos, o mercado de tecnologias envolvendo a automação de processos robóticos cresce 20% ao ano e provavelmente chegará a US$ 5 bilhões em 2024. Refletindo esse crescimento, 41% dos entrevistados afirmam estar usando automação de alguma forma em suas empresas.

Entretanto, o sentimento de incerteza ou de ansiedade que gira em torno do uso dessas tecnologias tem aumentado. Apenas 26% dos entrevistados afirmaram que suas organizações estavam “prontas ou muito prontas” para lidar com o impacto dessas tecnologias. Isso sugere que as empresas estão apenas começando a entender a forma como a automação impactará a maneira de trabalhar e a consequente necessidade de se reinventar os cargos e postos de trabalho.


O mundo do trabalho está mudando


Sabemos que as mudanças não virão do dia para noite. Vejamos a sequência abaixo para entender melhor como o modelo de trabalho vem sendo alterado até chegar nos superempregos.


Há, sim, grandes chances de vermos alguns cargos sendo eliminados em função da automação. Entretanto, o que devemos ter em vista é que, mais do que isso, o modelo de trabalho é que está mudando. Segundo a pesquisa da Deloitte, 47% dos entrevistados estão aprimorando as práticas de trabalho existentes para melhorar a produtividade e 36% dizem estar “reinventando o trabalho”. Isso porque, ao diminuir o número de processos repetitivos, os trabalhos tendem a se tornar mais “humanos”, aumentando o valor das pessoas dentro das empresas.

Assim, a grande vantagem da automação e da IA não reside na capacidade de substituir seres humanos por máquinas no ambiente de trabalho, mas em permitir que ele seja reformulado em termos de solução de problemas e capacidade de criar novos conhecimentos.


O advento dos superjobs


O conceito de superjob leva essa mudança a um passo adiante. Em um superemprego, a tecnologia não apenas altera os tipos de habilidades que a função exige, como também muda a natureza do trabalho como um todo. Assim como nos empregos híbridos, os superjobs exigem uma amplitude maior e mais flexível de habilidades técnicas, mas também combinam partes de diferentes trabalhos tradicionais em funções integradas.

Outra característica dos superjobs é automatizar parte das tarefas que antes eram realizadas manualmente, deixando para as pessoas as demandas de caráter mais interpretativo e analítico, como:

  • solução de problemas complexos

  • interpretação de dados

  • comunicação, escuta e empatia

  • trabalho em equipe e colaboração

Cada vez mais, o avanço na criação de superjobs exigirá que as empresas pensem a natureza do trabalho de novas maneiras. A tendência é que os cargos sejam reprojetados para combinar os pontos fortes da força de trabalho humana com máquinas e plataformas, o que provavelmente resultará em melhorias significativas na eficiência e na produtividade dentro das companhias. Toda essa mudança será um desafio substancial para os líderes e exigirá um planejamento detalhado que envolva várias áreas das empresas como TI, finanças, RH, entre outras.

Afinal, não se trata apenas de reescrever as descrições dos trabalhos e, sim, do redesenho de funções nas quais as capacidades exclusivamente humanas como imaginação, curiosidade e empatia se combinem da melhor forma com tecnologias. Automatizando, assim, as tarefas de rotina e abrindo espaço no dia a dia para a criatividade e o autodesenvolvimento.


Características dos superjobs


Valorização das soft skills


São consideradas soft skills, ou “habilidades leves” em português, características essencialmente humanas como curiosidade, empatia, esperança, coragem, criatividade, entre outras. São capacidades mais difíceis de ser aprendidas e se aprimoram ao longo do tempo. Mas, para além disso, não exigem nenhum banco de dados para serem exercitadas.

Roberto Rigobon, professor de economia aplicada no MIT, em um TEDx Talk, dá um exemplo contundente a respeito do que ele considera uma das maiores habilidades humanas: a esperança. Para ele, ela seria a capacidade de imaginar um futuro que ainda não existe, com base em poucos ou até mesmo nenhum dado. Ou seja, não se trata de uma previsão baseada em padrões informacionais, mas sim de uma habilidade que combina imaginação, otimismo e confiança. Isso seria, afinal, uma das características que nos diferencia substancialmente das máquinas.


Combinação de cargos tradicionais


A princípio, você pode pensar que o agrupamento de funções pode resultar em sobrecarga de trabalho em cima de uma única pessoa. Mas não se trata disso. A ideia é que, como diversas tarefas repetitivas serão automatizadas, sobrará muito mais tempo para que as pessoas se concentrem no que realmente importa e realizem as tarefas que as máquinas não são capazes de fazer.


Flexibilidade


Esta, que é uma das pautas mais proeminentes quando se fala em futuro do trabalho, é uma característica inerente aos superjobs. Com o emprego das novas tecnologias, o colaborador poderá trabalhar menos horas, adotando jornadas e modalidade mais flexíveis de trabalho como o job sharing ou o 4-Day Workweek, assim como realizar trabalho remoto e o home office, dado que sua presença física dentro da empresa nem sempre será necessária.


Aprendizagem e treinamento

A pesquisa da Deloitte também aponta para a necessidade das organizações mudarem seu entendimento a respeito da forma como as pessoas aprendem. Afinal, as rápidas mudanças no mundo do trabalho estão criando uma enorme demanda por novas habilidades e capacidades. Isso requer das empresas um maior investimento em uma cultura de crescimento que apoie a aprendizagem contínua que motive os colaboradores a aproveitar as oportunidades de aprender.


Fonte: Runrun.it

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