• Assessoria de Comunicação

O Ensino Médio brasileiro pede atenção e reforço no pós-pandemia



Na volta, as escolas vão precisar enfrentar a defasagem no aprendizado


O Ensino Médio brasileiro sempre precisou lidar com a evasão e a qualidade ruim de aprendizagem. A pandemia vai deixar ainda mais pedras no caminho, por isso gera tanta preocupação em educadores e especialistas. O ensino a distância, implementado às pressas e sem muito preparo, não foi capaz de conter os prejuízos em um cenário de desigualdade, com tantos alunos sem o acesso às ferramentas necessárias e ao suporte emocional.


O vídeo publicado recentemente por Júlia Almeida, estudante de 17 anos do terceiro ano do Ensino Médio de uma escola estadual em Belo Horizonte (MG), ilustra o problema. Com o título “Por que vou reprovar em 2020”, ela conta em seu Instagram que a opção de reprovar não se trata de refazer as matérias desse ano, mas, sim, estudar esse conteúdo, já que ela afirma não ter feito nada efetivo ensino remoto. O vídeo teve mais de 120 mil visualizações e 900 comentários, com a maior parte dos estudantes concordando com seus argumentos e se identificando com as dificuldades de aprender a distância em meio à pandemia. 


O caso de Júlia não é isolado. A BBC News Brasil conversou com 14 jovens da rede pública que, assim como ela, já têm certeza da reprovação ou estão pensando na possibilidade. Eles afirmam que não têm conseguido aprender durante a pandemia. Os alunos do terceiro ano do Ensino Médio também falam sobre o despreparo para fazer o Enem.

Evasão

Além da reprovação, dados mostram que depois da pandemia, mais gente vai abandonar os estudos. A pesquisa “Juventudes e a Pandemia do Coronavírus”, realizada pelo Conjuve (Conselho Nacional da Juventude) em parceria com Em Movimento, Fundação Roberto Marinho, Mapa Educação, Porvir, Rede Conhecimento Social, Unesco e Visão Mundial, aponta um cenário alarmante.


Segundo o levantamento, quase 30% dos jovens pensam em deixar a escola e, entre os que planejam fazer o Enem, 49% já pensaram em desistir. A maioria sente grande dificuldade de estudar em casa, por conta da falta ou  precariedade de ferramentas para acessar os conteúdos, somada com desequilíbrio emocional e dificuldade em se organizar.


Necessidade de reforço

O retorno às aulas não será uma tarefa fácil: as preocupações vão desde o cuidado emocional de alunos e professores até a questão do espaço e como obedecer as regras de distanciamento para evitar o contágio. E não para por aí. Na volta, as escolas vão precisar enfrentar a inevitável defasagem no aprendizado.

Em relação a esse último ponto, o que muito se tem discutido é a realização de avaliações para saber o que os alunos conseguiram acompanhar durante o ensino remoto. E, a partir disso, entender o descompasso, identificando quem precisa do reforço de aulas extras, com extensão do ano letivo ou ampliação da carga horária.


A Secretaria de Educação de São Paulo, por exemplo, está estruturando para 2021 um 4º ano do Ensino Médio. Ele será optativo e seu oferecimento será condicionado à existência de vagas. A novidade será destinada a quem está cursando atualmente o 3º ano e que deseja se preparar melhor para o vestibular. Ainda não foram divulgados o número de vagas e mais detalhes sobre o currículo complementar.

Em entrevista ao UOL, o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, disse que a ideia da criação deste ano extra surgiu de uma conversa com estudantes que disseram ter interesse em cursar o 3º ano novamente em 2021.


Outra medida que a Secretaria de Educação de São Paulo acredita que vai ajudar a atrair e manter os jovens na escola e tentar conter o aumento da evasão escolar é a implementação do novo Ensino Médio, no qual o jovem vai poder escolher parte do novo currículo de acordo com suas preferências e objetivos.


Mais ajuda


A Escola Sesc de Ensino Médio, que já estava adaptada ao modelo de educação híbrida, conseguiu aprimorar ainda mais o ensino remoto. Aproveitando as ferramentas e estratégias desenvolvidas e aperfeiçoadas durante esse período de isolamento, ela lançou o Programa de Tutoria Educacional a Distância (PTED). A iniciativa gratuita vai além dos estudantes da instituições e atenderá mais de 800 alunos de todos os estados, priorizando estudantes da rede pública e de menor renda familiar.


Durante os três anos do Ensino Médio, os participantes do programa terão apoio nas disciplinas curriculares, por meio de videoaulas e outras estratégias de aprendizagem disponibilizadas em uma plataforma digital, com acompanhamento direto de educadores. Eles também terão apoio específico voltado ao Enem.


Fora esse suporte acadêmico, os estudantes contarão com um acompanhamento tutorial com profissionais especializados, acesso a atividades culturais, palestras motivacionais, educacionais e de orientação de carreira. “O jovem vai ter um tutor com nome e com quem pode ter uma proximidade. Ela vai poder, então, dialogar sobre a vida, seus projetos, como ele se sente no momento e quais são as dificuldades de aprendizagem”, explica ao GUIA o diretor da Escola Sesc, Luiz Fernando Barros. 


Fonte: Guia do Estudante

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