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Árvore nativa: conheça algumas espécies da Mata Atlântica

A flora arbórea do Brasil é a mais diversificada do mundo. No entanto, a exploração de nossos recursos florestais vem ocorrendo num ritmo muito acelerado, de forma que espécies vegetais de grande valor estão em vias de extinção, assim como representantes de toda a fauna associada a estas espécies.



A diversidade de espécies vegetais nativas em nossas matas contribui como abrigo a toda fauna. Além disso, a fauna beneficia-se dos frutos que são regularmente distribuídos ao longo de todo o ano, como suprimento alimentar e em contrapartida, desempenha papel preponderante, como agente polinizador ou disseminador de sementes que contribuem para a propagação das espécies vegetais.


Visando contribuir ao conhecimento das árvores, cujos frutos podem ser usados como alimento da fauna, elaborou-se uma lista de espécies com base nos dois volumes de Árvores Brasileiras de Lorenzi, H. 2002. Neste artigo, mencionaremos apenas as espécies da Mata Atlântica do primeiro volume de árvores brasileiras (Lorenzi, H. op.cit).


Entre as espécies muito procuradas pela avifauna, encontra-se a aroeira-mansa (Schinus terebinthifolia), que ocorre em várias formações vegetais, de Pernambuco até o Rio Grande do Sul, incluindo Mato Grosso do Sul. Suas flores são melíferas, atraindo as abelhas, importantes polinizadores. Seus frutos, vermelhos quando maduros, são consumidos por pássaros que contribuem para a disseminação da espécie. Esta árvore floresce de setembro a janeiro e frutifica principalmente, de janeiro a julho.


Os frutos do araticum-do-mato (Rollinia sylvatica), árvore presente em diversas formações vegetais, de Pernambuco até o Rio Grande do Sul e também, em Goiás e Mato Grosso do Sul, são muito procurados pela avifauna. Sua floração ocorre nos meses de setembro e outubro e a frutificação, no período de janeiro a abril.


A pindaíba-vermelha (Xylopia sericea), produtora de frutos consumidos por pássaros, é ótima para o plantio em áreas degradadas de altitude nas regiões do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e São Paulo.


Os frutos da árvore conhecida como leiteiro ou leiteira (Peschiera fuchsiaefolia), presente nas regiões do Rio de Janeiro, São Paulo e norte do Paraná (floresta latifoliada semidecídua) são muito procurados pelos pássaros que consomem o arilo vermelho que envolve as sementes. Esta árvore floresce durante os meses de outubro e novembro e frutifica em maio-junho.


A casca d’anta (Rauvolfia sellowii) produz frutos suculentos, de janeiro a março, apreciados por pássaros. É característica de regiões úmidas de altitude acima de 400 m, de São Paulo e Minas Gerais. No entanto, seus ramos quebram-se facilmente por ação de ventos.


A árvore conhecida como mate (Ilea paraguariensis), que ocorre no Mato Grosso do Sul e também de São Paulo ao Rio Grande do Sul, característica das matas de pinhais, de altitudes entre 400 e 800 m, frutifica no período de janeiro a março, apresentando frutos consumidos por várias espécies de pássaros.


A árvore designada como maria-mole (Dendropanax cuneatus) produz frutos consumidos por pássaros e flores melíferas, ocorrendo tanto na região amazônica, como na floresta pluvial do Mato Grosso do Sul e da região sudeste.


Em diversas formações florestais, da região amazônica até o Rio Grande do Sul, ocorre o morototó ou mandioqueiro (Didymopanax morototonii), cujos frutos são apreciados pela fauna em geral.


A dispersão das sementes do carobão (Sciadodendron excelsum) é realizada por pássaros que se alimentam avidamente de seus frutos suculentos. Esta espécie está presente nas florestas latifoliadas do Norte do Brasil, do Mato Grosso, de Goiás e da região sudeste, apresentando, porém, uma frequência rara.


Gralha azul e a árvore Araucária

O paraná-pine (Araucaria angustifolia), presente de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, em altitudes superiores a 500-900 m, produz frutos consumidos por várias espécies da fauna. A gralha-azul, uma ave que esconde os frutos no solo para depois consumi-los, realiza seu plantio involuntariamente.


A árvore conhecida como urucum (Bixa orellana), destaca-se por apresentar sementes tintoriais e condimentares, sendo muito utilizada pelos índios da Amazônia para tingir a pele, como repelente de insetos e para rituais religiosos. Esta árvore está presente na região amazônica até a Bahia e também, na floresta pluvial, ao longo de rios. Seus frutos são consumidos pelo homem e por outros animais, que contribuem para sua disseminação.


Uma espécie chamada de claraíba (Cordia ecalyculata) ocorre do nordeste ao sul, em baixíssima frequência nas áreas florestais. Frutifica no período de janeiro a março, alimentando algumas espécies da fauna. Uma outra espécie do gênero Cordia, Cordia sellowiana, popularmente designada de juruté, mais frequente em São Paulo e Minas Gerais do que no resto do país, produz frutos também apreciados pela fauna. A espécie Cordia superba, popularmente babosa-branca, cuja ocorrência se observa do Rio de Janeiro a São Paulo, apresenta uma bela floração, de tonalidade branca, durante os meses de outubro a fevereiro. Sua frutificação, nos meses de setembro a novembro, atrai alguns tipos de pássaros.


Os frutos da almecegueira (Protium heptaphyllum) são consumidos por pássaros atraídos pelo arilo adocicado que envolve as sementes. Esta árvore ocorre em todo o Brasil, principalmente nas matas ciliares úmidas.


Jaracatia spinosa, popularmente chamada de jaracatiá, está presente em diversas formações florestais, desde o sul da Bahia até o Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Seus frutos são consumidos por pássaros e macacos. Na alimentação humana, seu lenho foi no passado muito usado para a confecção de doces caseiros.


A embaúva (Cecropia pachystachya) e a embaúva-prateada (Cecropia hololeuca) apresentam frutos consumidos pela fauna, incluindo espécies de pássaros que, ao mordê-los, contribuem para sua propagação. O bicho-preguiça alimenta-se das folhas da embaúva. Em seu tronco oco, vivem formigas.


Do Sul da Bahia até o Rio Grande do Sul, na Mata pluvial Atlântica, ocorre a mucucurana (Hirtella hebeciada), cujos frutos são muito apreciados pelos pássaros.


A árvore conhecida como oiti (Licania tomentosa), ocorre de Pernambuco ao Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, na floresta pluvial atlântica. Seus frutos são importantes alimentos da fauna em geral.


Em áreas de altitude dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o camboatã-da-serra (Connarus regnellii), cujas sementes dos frutos são envolvidas por um arilo mucilaginoso, constitui um importante alimento para os pássaros.


De Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, em florestas de altitude, ocorre o guaperê (Lamanonia ternata), cujas flores são melíferas, atraindo abelhas polinizadoras.


Na floresta pluvial atlântica, da Bahia até o Rio Grande do Sul, os frutos da árvore conhecida como tanheiro ou tapi (Alchornea triplinervia) atraem pássaros que consomem o arilo vermelho que envolve as sementes.


O capixingui (Croton floribundus) ocorre desde o Rio de Janeiro até o Paraná na Mata Atlântica, produzindo flores melíferas durante os meses de outubro a dezembro. Uma outra espécie do mesmo gênero, chamada de urucurana (Croton urucurana), de distribuição geográfica mais ampla, desde a Bahia até o Rio Grande do Sul, incluindo também o Mato Grosso do Sul, frequente nas matas ciliares, é também melífera.


Árvore andá-assu: óleo medicinal

Presente na floresta da encosta atlântica, a árvore conhecida como andá-assu (Joannesia princeps) desempenha um papel importante na alimentação da fauna, com frutos grandes e pesados. As sementes produzem óleo, que pode ser usado para fins medicinais e industriais, em substituição ao óleo de linhaça.


Uma árvore comum à Mata Atlântica e ao Cerrado, conhecida como tabocuva ou sapateiro (Pera glabrata), ocorrendo de Minas Gerais até Santa Catarina produz frutos de outubro a janeiro, apreciados por pássaros.


Uma planta espinhenta, conhecida como branquilho (Sebastiania commersoniana), ocorre em florestas aluviais ao longo de rios e regatos, principalmente nas regiões de altitude, de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul e atrai abelhas.


Do sul da Bahia até São Paulo, nas matas da encosta atlântica, predominantemente nas planícies aluviais, a árvore conhecida como sapucainha (Carpotroche brasiliensis) produz frutos comestíveis e muito apreciados por animais silvestres, principalmente roedores. Sua frequência é, no entanto, muito baixa.


A guaçatunga (Casearia sylvestris), presente em quase todas as formações florestais do Brasil e particularmente frequente no sul do país, produz frutos de setembro a novembro, muito procurados por pássaros.

A árvore conhecida como guanandi (Calophyllum brasiliensis) produz frutos consumidos por várias espécies da fauna e ocorre desde a região amazônica até o norte de Santa Catarina, principalmente na floresta pluvial atlântica.


A árvore chamada de bacupari (Rheedia gardneriana) produz frutos comestíveis e muito saborosos, sendo por isso, muito cultivada em pomares domésticos. É indicada para reflorestamento por suprir, de forma farta, alimento para a fauna. Ocorre desde a região amazônica até o Rio Grande do Sul, na floresta pluvial, característica de beira de rios e córregos.


Em terrenos brejosos e alagadiços da mata pluvial atlântica encontra-se também a árvore designada anani (Symphonia globulifera). Ocorre desde a região amazônica até o Rio de Janeiro, produzindo frutos consumidos pela fauna.


De Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, na encosta atlântica e nas matas de pinhais, encontra-se a canela-fogo (Cryptocarya aschersoniana), cujos frutos são consumidos por várias espécies de animais.


Em Mato Grosso do Sul e Goiás e de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul, principalmente nas matas de pinhais de altitude dos três estados sulinos, ocorre a canela-amarela (Nectandra lanceolata), com frutos avidamente consumidos por pássaros. Uma outra espécie correlata, a Nectandra megapotamica, popularmente conhecida como canelinha, aparece em quase todas as formações florestais, de São Paulo até o Rio Grande do Sul e é também muito procurada como alimento de pássaros. A Nectandra rigida, conhecida como canela-ferrugem, apresenta frutos consumidos por pássaros e está presente desde a região amazônica até o Rio Grande do Sul, com exceção dos estados nordestinos, na floresta ombrófila (tropical) pluvial.


Uma árvore muito indicada para plantios em áreas de preservação é a maçaranduba (Persea pyrifolia), que se encontra presente em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, principalmente nas matas de altitude. Os frutos maduros surgem de janeiro a março e servem de alimento para várias espécies de pássaros.


O jequitibá (Cariniana estrellensis), presente em formações florestais de diversas regiões do Brasil (da Bahia ao Rio Grande do Sul, Brasil Central e Acre), produz sementes consumidas por macacos. Seus frutos amadurecem de julho a setembro, com a árvore totalmente despida de sua folhagem.


Conhecida como imbirema (Couratari asterotricha), esta árvore ocorre do Sul da Bahia até Minas Gerais e produz sementes apreciadas por macacos e roedores, nos meses de julho a setembro.


As castanhas da inuíba-vermelha (Lecythis lurida), árvore também característica da região amazônica e presente do sul da Bahia até Minas Gerais, na floresta pluvial, são consumidas por roedores. Uma outra espécie do mesmo gênero (Lecythis pisonis), presente do Ceará até o Rio de Janeiro, conhecida popularmente como sapucaia, produz castanhas cosmetíveis e muito saborosas, nutrindo a fauna em geral.


A copaíba (Copaifera langsdorffii), além de fornecer o bálsamo ou óleo transparente e terapêutico, produz grande quantidade de sementes no período de agosto e setembro, amplamente disseminadas por pássaros. Esta árvore se encontra nas matas de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.


Frutos apreciados por morcegos

A árvore, de nome popular alecrim (Holocalyx balansae), produz frutos apreciados por morcegos, muito embora seus ramos e folhas sejam tóxicos. Ocorre de São Paulo ao Rio Grande do Sul.


Anadenanthera colubrina (angico-branco) produz flores melíferas de novembro a janeiro; ocorre em altitudes superiores a 400 m, do Maranhão até o Paraná, incluindo o estado de Goiás.


A árvore conhecida como ingá-do-brejo (Inga vera) ocorre exclusivamente na beira de rios, desde São Paulo até o Rio Grande do Sul, produzindo frutos comestíveis e muito apreciados por animais.


A bracaatinga (Mimosa scabrella), característica da floresta de pinhais, nas regiões serranas de São Paulo ao Rio Grande do Sul, produz flores melíferas.


Designada como angico-vermelho (Parapiptadenia rígida), esta árvore está presente em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e nos três estados sulinos principalmente; floresce nos meses de novembro a janeiro, atraindo abelhas.


Ocorrendo principalmente na floresta pluvial da encosta atlântica, de Minas Gerais até Santa Catarina, incluindo o Estado de Mato Grosso do Sul, o pau-jacaré (Piptadenia gonoacantha) apresenta flores melíferas, de outubro a janeiro. Espécies do gênero Andira (A. anthelmia– angelim amargoso e A. fraxinifolia– angelim doce), de ampla distribuição geográfica, produzem frutos consumidos por morcegos e outras espécies da fauna.


O cumaru (Dipteryx alata), de madeira altamente resistente ao apodrecimento e muito empregada para construção naval e civil, característica de terrenos secos do Cerrado e da Mata Atlântica (Estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo), produz frutos apreciados pelo gado e por animais silvestres.


Três espécies do gênero Erythrina (E. falcata – corticeira-da-serra, E. mulungu-mulungu-coral e E. verna-suinã) apresentam flores muito visitadas por periquitos, papagaios, beija-fl